O perfil dos profissionais mais cobiçados

Brasil Econômico – Gabriela Murno

Trazer resultado rápido e ter senso de dono, além de boa capacidade de comunicação com outras áreas da empresa, são características apontadas pelos especialistas ouvidos pelo Brasil Econômico como essenciais aos profissionais que buscam uma boa colocação em uma grande companhia ou querem trocar de empresa.

“Experiência prévia, habilidade de aprender rapidamente e produzir resultados rápidos, seja diretor, gerente ou especialista, são as características mais buscadas”, diz Bernardo Entschev, CEO da De Bernt.

Levantamento feito pela Page Personnel, em agosto, acrescenta ainda networking e total domínio do cargo como importantes. “As companhias sonham com esse tipo de profissional, porque ele está em falta. É o tipo de pessoa que as empresas precisam trazer, a que produz resultado imediato, cuida diretamente do dia a dia dos negócios, não fica muito tempo em treinamento, enfim, aquele executivo que põe a engrenagem para funcionar”, explica Roberto Picino, diretor da Page Personnel.

Segundo Juliano Ballarotti, diretor da HAYS em São Paulo, esta tendência do mercado nacional ocorre devido ao aumento da competitividade entre as empresas. “As corporações têm reduzido os custos, logo precisam de profissionais mais rápidos, maleáveis e adaptáveis”, explica.

Para os especialistas, diferente do que ocorria há 20 anos, sair do país para ser bem sucedido não está mais tão presente nos objetivos do profissional no Brasil. Hoje, o movimento é o inverso, com maior entrada de estrangeiros no país e brasileiros, mesmo que empregados fora, querendo retornar.

“Na verdade, o Brasil passou grande parte da última década perdendo profissionais para outros mercados. Atualmente, estes profissionais passaram a ter intenção de voltar ao país, porque as oportunidades voltaram a aparecer”, destaca Leonardo Leitão, consultor de Recrutamento e Seleção. “O Brasil é visto como o centro do Mercosul e passamos a ter mais profissionais responsáveis pela região, o que acontecia menos há alguns anos”, completa Ballarotti.

Além do crescimento do país nos últimos anos, Entschev credita esta mudança de cenário também à instabilidade econômica internacional. “A Europa não consegue sair da crise, os Estados Unidos melhoram lentamente. Então, é melhor ficar aqui, já que os salários são altos e há mais oportunidades”, diz ele.

No entanto, fazer cursos no exterior, principalmente de gestão, continua a ser um diferencial. De acordo com Ballarotti, os cursos de MBA brasileiros que têm módulos internacionais também aparecem como opção. “Como há pessoas de diferentes países, é como ter experiências internacionais sem sair daqui”, ressalta.

No entanto, alguns setores ainda sofrem com a falta de mão de obra. Para os especialistas, as áreas de engenharia, tecnologia da informação e telecomunicações são as que mais necessitam de profissionais, havendo, inclusive, tendência de abertura do mercado, como já ocorreu com a entrada de médicos estrangeiros.

“O Brasil forma 40% ou 50% dos engenheiros que vamos precisar nos próximos anos, com as inúmeras obras de infraestrutura. Este fenômeno inflaciona salários e abre a fronteira para profissionais estrangeiros, o que já ocorreu em outros países. Ao mesmo tempo, profissionais de países em que a infraestrutura já existe, como Portugal e Espanha, buscam opções fora”, explica Entschev.

Fonte: IG

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